Resenha Cartografia para Caminhos Incertos - Ian Fraser
- 10 de fev.
- 2 min de leitura
Atualizado: há 5 dias

A jornada que ensina a se perder (e a se encontrar)
Minha nota: ★★★★★ 🖤
Autor: Ian Fraser
Gênero: Romance / Realismo mágico contemporâneo
Editora: Intrínseca
Páginas: 192
Ideal para: leitores que amam narrativas sensíveis e inventivas, que misturam brasilidade, fantasia e reflexão sobre identidade e amor verdadeiro.
Antes de começar… “É daqueles livros que te abraça logo nas primeiras páginas e te deixa com a sensação de que, assim como Mané, a gente também tem mapas internos esperando para serem traçados.”
Quando pensei em escrever sobre Cartografia para Caminhos Incertos, de Ian Fraser, logo percebi que não é só a beleza da prosa que me arrebatou: é o jeito que o livro conversa comigo sobre amor, pertencimento e a geografia dos nossos sentimentos. Fraser constrói aqui uma Bahia mágica, cheia de mistério e humor, onde a cidade de Redenção não aparece no mapa porque literalmente muda de lugar e é guardada por uma pedra encantada que a torna inalcançável por qualquer tecnologia ou bússola convencional.
O protagonista, Mané, é um sujeito simples, aspirante a poeta, que vive em Redenção com o namorado Jeremias. O desejo inocente de viver o “beijo ideal” aquele que provoca revoadas de borboletas amarelas o impulsiona a aceitar desafios com coragem e leveza. Mas a ironia do destino é que, ao perseguir esse gesto perfeito, Mané acaba se afastando de sua cidade e inicia uma jornada pelo interior da Bahia em busca de reencontrar Redenção e, acima de tudo, seu próprio coração.
O que torna essa viagem tão especial é o repertório de personagens e lugares que desafiam nossa percepção de realidade. Tem uma cidade que existe na língua de uma carranca, um patriota que ergue cercas imaginárias ao redor da alma brasileira e até um engarrafamento tão gigantesco e parado que virou quase uma sociedade própria, momentos que me arrancaram sorrisos e reflexões profundas sobre o absurdo, o afeto e a brasilidade.
Fraser brinca com a língua e a narrativa de forma inventiva, ora poética, ora surpreendentemente melancólica, sempre com um toque de realismo mágico que emociona sem perder a leveza. A maneira como ele entrelaça elementos da cultura popular, do folclore e da geografia afetiva brasileira dá a Cartografia para Caminhos Incertos um sabor único, convidando a gente a pensar: e se nossos mapas internos fossem tão fluidos quanto os caminhos de Redenção?
Se este livro entrou na minha lista de favoritos com cinco estrelas, é porque ele não só me fez viajar por uma Bahia encantada, mas também tocar em algo profundo dentro de mim. Uma leitura que celebra o amor em suas formas mais sensíveis, nos lembra que a beleza está nos encontros inesperados e que, às vezes, perder-se no mapa é o primeiro passo para se encontrar de verdade.
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