Resenha Descolonizando afetos: Experimentações sobre outras formas de amar - Geni Núñez
- 4 de fev.
- 2 min de leitura

Descolonizar o amor para reaprender a sentir
Minha nota: ★★★★☆
Autora: Geni Núñez
Gênero: Ensaios / Não ficção / Estudos decoloniais
Editora: Planeta
Páginas: 192
Ideal para: quem deseja repensar o amor para além da romantização colonial, pessoas interessadas em afetos conscientes, relações éticas, feminismos e perspectivas indígenas e decoloniais.
Antes de começar…“Esse não é um livro que ensina a amar melhor. É um livro que nos convida a desaprender.”
Há livros que a gente lê com a cabeça. Outros, com o coração. Descolonizando afetos: Experimentações sobre outras formas de amar, da Geni Núñez, eu li com o corpo inteiro. Com incômodo, acolhimento, pausa e, sobretudo, com perguntas que continuam ecoando depois da última página.
Aqui, Geni não entrega respostas prontas — e ainda bem. O que ela faz é algo mais potente: tensiona a forma como fomos ensinados a amar. Amor romântico, amor possessivo, amor hierárquico, amor que dói mas é normalizado. A autora parte de uma perspectiva indígena e decolonial para desmontar essas estruturas afetivas herdadas do colonialismo, do patriarcado e do capitalismo, mostrando como elas moldam nossos vínculos, expectativas e frustrações.
O livro é composto por ensaios curtos, quase como conversas profundas, em que a autora atravessa temas como amor romântico, autonomia, cuidado, ancestralidade, dor, dependência emocional e liberdade. Não há personagens no sentido clássico, mas há presenças: corpos marcados, histórias silenciadas e afetos que resistem. Cada texto funciona como um espelho desconfortável — daqueles que não distorcem, apenas revelam.
O que mais me tocou foi a forma como Geni propõe o amor como prática política. Amar, aqui, não é apenas sentimento: é escolha, ética e responsabilidade. É também recusa. Recusa de relações que adoecem, que colonizam, que exigem apagamento. Esse livro não romantiza o afeto — ele o responsabiliza.
Li devagar. Voltei parágrafos. Fechei o livro para respirar. E talvez esse seja o maior elogio que posso fazer: Descolonizando afetos não se consome, se experiencia. Dei 4 estrelas porque senti que ele cumpre exatamente o que promete — provocar deslocamentos — mesmo que, em alguns momentos, eu quisesse ainda mais aprofundamento em certas reflexões. Ainda assim, é leitura essencial.
Um livro necessário para quem está disposto a amar de forma mais consciente, livre e inteira. Mesmo que isso doa um pouco no caminho.
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