Resenha Eu me verei em meus olhos - Rim Battal
- 10 de fev.
- 2 min de leitura

Um romance de formação que arde e liberta
Minha nota: ★★★★
Autor: Rim Battal
Gênero: Romance contemporâneo / Literário
Editora: Ímã Editorial
Páginas: 184
Ideal para: quem ama literatura que atravessa o íntimo, toca em questões de gênero e identidade e não tem medo de sentir cada página.
Antes de começar... “Ler Rim Battal é olhar para o espelho ao mesmo tempo que o mundo observa por trás da sua nuca.”
Entrar nas páginas de Eu me verei em meus olhos é como caminhar num deserto de vontades e medos e, de repente, sentir uma miragem virar real. Rim Battal nos entrega Rim — uma jovem que cresce em um Marrocos tão dividido entre tradições sufocantes e a promessa de um mundo mais amplo que sua imaginação pulsa, que a cada capítulo dá vontade tanto de aplaudir quanto de abraçar.
A narrativa se inaugura com uma decisão tão simples quanto devastadora: Rim experimenta um gesto de liberdade, um ato quase sussurrado de transgressão. A reação violenta de sua família — e em particular de sua mãe — desencadeia uma sequência de humilhações e confrontos que vão rasgando o véu da inocência. O choque não é gratuito; ele é catalisador de autoconhecimento e resistência.
O mais impressionante aqui é a escrita de Battal: lírica sem parecer frívola, crua sem perder a poesia. Ela nos guia por paisagens internas que se parecem com memórias de infância que ninguém te contou, e ainda assim sentimos como nossas. Rim não apenas enfrenta o mundo exterior que a reprime — ela aprende a olhar para si mesma, a reclamar seu olhar, seu corpo, sua história. Isso é quase um manifesto, e também uma conversa íntima.
Personagens secundários surgem como reflexos deformados da pressão social ou como breves oasis de humanidade — amizades, olhares cúmplices, momentos em que Rim experimenta outro tipo de afeto. Esses instantes não são confortos fáceis, são nuances que mostram que crescer é um processo de contradições e rachaduras tanto quanto de vitórias.
Se você busca um livro que seja mais do que uma história, que faça você questionar a própria forma de olhar para o mundo e para si, Eu me verei em meus olhos merece lugar de destaque na sua estante (ou na sua wishlist). É aquele tipo de leitura que ecoa depois que a última página vira silêncio — e faz notar como, muitas vezes, nós também precisamos parar de pedir permissão para existir.
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