Resenha Freyja - Margét Ann Thors
- 11 de fev.
- 2 min de leitura

Ecos do passado nas areias negras da Islândia
Minha nota: ★★★☆☆
Autora: Margét Ann Thors
Gênero: Suspense psicológico / Mistério / Drama contemporâneo
Editora: Spiegel & Grau LLC
Páginas: 256
Ideal para: leitores que gostam de suspense atmosférico, investigações de caso antigo, dramas familiares intensos e histórias mergulhadas no folclore islandês.
Antes de começar… “Foi uma leitura envolvente, com uma atmosfera gelada que se infiltra devagar — mas que nem sempre entrega a intensidade que promete.”
Se você gosta de livros com clima denso, paisagens quase personagens e segredos que fermentam por décadas, Freyja, de Margét Ann Thors, tem todos os ingredientes certos. A história começa com um caso antigo: o desaparecimento de uma jovem em uma praia de areia negra na Islândia, um mistério que nunca foi totalmente resolvido. Vinte anos depois, o passado volta a bater à porta — e ele não vem gentil.
Unnur é uma protagonista cheia de camadas. Mãe solo de Lilja, vivendo discretamente em Reykjavik e trabalhando em uma padaria sob um sobrenome diferente, ela construiu uma vida baseada na contenção e no silêncio. Só que silêncio não é esquecimento. E quando o ex-marido retorna ao país acompanhado de uma nova namorada que parece saber demais sobre seu passado, a estrutura frágil dessa nova vida começa a rachar.
A tensão cresce quando a investigação do caso antigo é reaberta. Aos poucos, descobrimos que Unnur pode estar mais ligada ao desaparecimento de Freyja do que deixou transparecer. O que aconteceu naquele verão distante? O que é memória distorcida, o que é trauma, e o que pode ter algo de inexplicável — quase mítico? A autora costura o enredo com elementos do folclore islandês, criando uma atmosfera que mistura realidade dura com ecos quase sobrenaturais.
O ponto forte do livro é, sem dúvida, o clima. A Islândia aqui não é apenas cenário; ela pulsa. As praias escuras, o frio cortante, o isolamento, tudo reforça a sensação de inquietação constante. Existe uma melancolia que atravessa a narrativa, um peso emocional ligado à maternidade, à culpa e à proteção — e isso funciona muito bem.
Mas sendo honesta: apesar da premissa poderosa, senti que o suspense poderia ter sido mais impactante. A construção é interessante, mas o ritmo em alguns momentos desacelera demais, e certas revelações não têm o impacto emocional que eu esperava. É aquele tipo de leitura que mantém o interesse, mas não chega a arrepiar como promete.
Ainda assim, Freyja entrega uma boa reflexão sobre memória, responsabilidade e amor materno. Não é um thriller eletrizante, mas é um suspense psicológico introspectivo, daqueles que deixam uma sensação de frio interno mesmo depois da última página.
Três estrelas bem dadas: uma leitura competente, atmosférica e sensível, mas que poderia ter ido mais fundo no abismo que ela mesma abriu. E às vezes, a gente quer cair mais um pouquinho, né?






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