Resenha Se eu soubesse contar infinitos - Mayra S. Mayor
- há 4 dias
- 2 min de leitura

Um romance sobre heranças invisíveis que atravessam gerações
Minha nota: ★★★★★ 🖤
Autora: Mayra S. Mayor
Gênero: Romance contemporâneo / Drama familiar
Editora: Seguinte
Páginas: 368
Ideal para: quem ama romances familiares profundos, histórias sobre maternidade, gerações e personagens femininas complexas, com camadas emocionais que ficam.
Antes de começar…“Tem livros que a gente não lê a gente herda. Esse aqui me atravessou como memória que nem é minha, mas poderia ser.”
Tem histórias que não pedem licença: elas entram, ocupam espaço e, quando você percebe, já estão morando em você. Se eu soubesse contar infinitos, da Mayra S. Mayor, foi exatamente isso pra mim um desses encontros raros que não só emocionam, mas também desorganizam um pouquinho por dentro (no melhor sentido possível).
A narrativa acompanha três gerações de mulheres — Tereza, Alice e Carolina — costurando passado e presente com uma delicadeza quase dolorida. Começamos lá nos anos 1960, com Tereza e Francisco, um poeta revolucionário, vivendo o peso da ditadura e sendo forçados ao exílio em Paris. É nesse cenário que nasce Alice, já marcada por uma história que ela ainda nem entende.
E é bonito (e duro) ver como cada uma dessas mulheres tenta sobreviver ao que herdou.
Tereza encontra na arte uma forma de existir suas esculturas parecem quase uma tentativa de dar forma ao que não pode ser dito. Alice cresce com esse sentimento de deslocamento, de não pertencimento, carregando uma relação complicada com a mãe e com a própria identidade. E quando ela engravida ainda jovem, a vida muda de eixo, não só a dela, mas de todas.
Depois, já nos anos 2000, vemos Alice adulta, bem-sucedida profissionalmente, mas ainda tentando preencher vazios que nunca foram nomeados. E então entra Carolina, a filha, que observa tudo e, como muitas vezes acontece, tenta entender a própria história olhando para trás.
O que mais me pegou aqui foi essa pergunta silenciosa que atravessa o livro inteiro: o que, de fato, pertence a nós e o que apenas carregamos?
A escrita da Mayra é sensível, mas sem romantizar dor. Ela olha para essas mulheres com humanidade, sem julgamentos fáceis. E isso faz toda diferença. Porque não existem vilãs aqui existem mulheres tentando, falhando, amando do jeito que conseguem.
E tem um detalhe que me ganhou demais: os cadernos de Tereza, que atravessam o tempo como uma espécie de ponte entre passado e presente. É como se a memória ganhasse voz e, de certa forma, pedisse para ser ouvida.
Esse é um livro sobre maternidade, sim. Mas também sobre ausência. Sobre escolhas que não parecem escolhas. Sobre amor que nem sempre sabe como se mostrar. E, principalmente, sobre ciclos aqueles que a gente repete sem perceber até ter coragem de olhar pra eles de frente.
Eu terminei essa leitura com aquele silêncio bom, sabe? De quem precisa de um tempo pra digerir tudo. E com uma certeza: esse é um daqueles livros que não acabam na última página.
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