Resenha Seis dias em Bombain - Alka Joshi
- 10 de fev.
- 3 min de leitura

Entre identidade, amizade e um destino que poderia ter sido mais firme
Minha nota: ★★★☆☆
Autora: Alka Joshi
Gênero: Ficção histórica / Literatura estrangeira
Editora: TAG
Páginas: 378
Ideal para: quem gosta de histórias com ambientação histórica, viagens e temas de identidade e arte, mesmo que o ritmo seja contemplativo.
Antes de começar… “Seis dias podem parecer pouco, mas às vezes é tempo suficiente para mudar o rumo de uma vida – mesmo que a promessa nunca se cumpra do jeito que esperamos.”
Se você está acostumado com as tramas amplas e envolventes de Alka Joshi (como na trilogia The Henna Artist), este livro parece ter nascido com um destino grandioso: uma protagonista que cruza continentes em busca de respostas e uma amizade que derruba fronteiras culturais. Mas, na prática, enquanto Seis dias em Bombaim entrega uma viagem bonita em termos de cenário e intenção, a minha conexão com a protagonista e o ritmo da narrativa oscilou.
A narrativa começa na Bombay dos anos 1930, onde Sona Falstaff, uma jovem enfermeira de origem “half-half” (metade britânica, metade indiana), trabalha no hospital Wadia e leva uma vida simples com sua mãe. Ela conhece a enigmática artista Mira Novak, uma pintora talentosa baseada em uma figura histórica e cheia de histórias de viagens, amores e liberdade — e o que começa como uma amizade inesperada rapidamente vira o coração emocional do livro.
O problema, pelo menos para mim, é que esse vínculo, apesar de promissor, às vezes sente mais como um pretexto narrativo do que como um laço visceral que realmente me fisgasse. O livro segue Sona pelo mundo: de Bombay a cidades como Praga, Paris e Florença, enquanto ela tenta cumprir o último desejo de Mira — entregar três pinturas a pessoas importantes do passado da artista — e, de quebra, entender sua própria identidade.
Isso tudo se desenrola em meio a temas lindamente armados (cidade por cidade, a autora nos dá sensações táteis dos lugares, das tensões políticas daquela época e da busca por pertencimento), mas há momentos em que o ritmo devagar e as reflexões internas de Sona não se traduzem em empatia total pelo leitor. É uma leitura que respeita o tempo da personagem, mas talvez demais — e, em certos momentos, a sensação de que “algo grandioso vai acontecer” fica mais na promessa do que na concretização.
Personagens como Mira oferecem brilho e complexidade, e o pano de fundo histórico de uma Índia à beira de grandes transformações é um charme à parte: dá ao livro uma textura rica em cultura e conflito, ainda que nem sempre o enredo acompanhe esse pulso.
No fim das contas, Seis dias em Bombaim tem momentos lindos de descoberta e pode encantar leitores que amam uma jornada reflexiva e geograficamente ampla. Mas se você procura um enredo que conecte profundamente protagonista e leitor do início ao fim, vai encontrar ali um ritmo que pede paciência — e, por vezes, frustra por não cumprir todas as promessas que sugere.
Para quem curte um mergulho histórico com um toque de mistério sobre arte, identidade e a forma como nos vemos no mundo, vale a pena. Só não espere que ele seja tão arrebatador quanto algumas das obras anteriores da autora.
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