Resenha Ecos da floresta - Liz Moore
- Mih Moraes

- 20 de jan.
- 2 min de leitura

O livro mais denso que já li
Minha nota: ★★★★★
Autor: Liz Moore
Gênero: Thriller literário / Mistério familiar
Editora: HarperCollins Brasil (edição TAG Inéditos)
Páginas: 414 (aprox.)
Ideal para: quem ama mistérios intricados, dramas familiares intensos, ambientação histórica e narrativa que te suga para dentro da floresta.
Antes de começar… “Prepare-se para sentir o peso de cada árvore, o silêncio dos personagens quando ninguém mais fala por eles e a floresta que sussurra segredos sob seus pés.”
Quando peguei Ecos da Floresta, não esperava uma história que grudasse no meu pensamento como musgo nas raízes antigas — mas Liz Moore fez exatamente isso. O desaparecimento de Barbara Van Laar, uma adolescente num acampamento nos Adirondacks em pleno verão de 1975, é o estopim de um quebra-cabeça que mistura passado e presente com a elegância de um relógio suíço.
O que começa como um mistério clássico — cama vazia, menina sumida — rapidamente se revela um nó de relações familiares, segredos que correm em círculos e uma comunidade inteira respirando por um fio. A família Van Laar, rica e poderosa, carrega feridas que vão muito além da floresta. O desaparecimento do irmão mais velho de Barbara, catorze anos antes, paira sobre todos como um fantasma que ninguém quer nomear.
Moore alterna narradores e tempos de forma magistral — tem algo de cinema antigo nessa montagem: você vê uma cena, depois outra que ilumina a primeira, depois outra que faz o chão desaparecer debaixo dos seus pés. Há uma cadência quase musical em como o mistério se desenrola, e cada personagem, mesmo os que parecem menores no início, carrega uma história que merece atenção.
O ponto forte aqui não é apenas “o que aconteceu com Barbara?”, mas “como cada pessoa lida com o eco do que não foi dito?”. A mãe de Barbara, Alice, é uma figura imersa em culpa e silêncio; Louise, a monitora, tem seus próprios demônios; e o leitor fica constantemente recalibrando suas suspeitas — ninguém é exatamente o que parece.
A floresta, por sua vez, é quase uma personagem viva. A densidade, os caminhos que se bifurcam, a sensação de nunca estar seguro do que vem depois… tudo isso cria uma atmosfera tão presente que você sente o cheiro de pinho e a umidade nas páginas.
Por fim, é um daqueles livros que te deixam pensativo depois da última página: sobre família, poder, silêncio e o que somos capazes de esconder — e revelar. Ecos da Floresta é suspense, sim, mas sobretudo um estudo profundo dos nossos próprios labirintos internos.
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