Resenha Ashes in the snow de Oriana Ramunno
- Mih Moraes

- 14 de jan.
- 2 min de leitura

O mistério congelado em Auschwitz — quando a neve não esconde o horror nem a coragem
Minha nota: ★★★★☆
Autor: Oriana Ramunno
Gênero: Ficção histórica / Thriller de mistério
Editora: HarperCollins (edição original)
Páginas: 336
Ideal para: quem gosta de thrillers históricos que combinam suspense policial com realidade brutal da Segunda Guerra Mundial
Antes de começar… “Nem sempre o silêncio da neve significa paz — às vezes, é a narrativa mais poderosa que podemos ouvir.”
Entrar em Ashes in the Snow é como caminhar pela neve gelada de 1943 em Auschwitz — cada passo deixa uma marca pesada, mas também uma possibilidade de memória e reflexão profunda sobre o que significa viver e escolher em meio ao horror. A italiana Oriana Ramunno nos coloca no epicentro de um caso que, à primeira vista, parece um mistério policial, mas rapidamente revela que o crime é só a ponta do iceberg da condição humana.
A história começa com um garoto judeu, Gioele Errera, encontrando o corpo de um oficial da SS — e é nessa descoberta que a trama se desencadeia, lançando o detetive alemão Hugo Fischer, vindo de Berlim para investigar o caso. Fischer não é um herói padrão de romance policial: ele convive com uma doença degenerativa que precisa esconder, já que na Alemanha nazista qualquer fraqueza podia significar morte ou deportação. Essa camada de vulnerabilidade o humaniza e o torna um protagonista inesquecível, alguém que pesquisa pistas ao mesmo tempo em que confronta as verdades brutais do campo e de si mesmo.
O que mais me pegou nessa leitura foi a maneira como Ramunno costura emoções com fatos históricos tão sombrios. Não há romantização do horror — pelo contrário, a narrativa mergulha você nas paisagens geladas de Auschwitz, onde as experiências humanas variam do sofrimento inevitável à solidariedade fugaz, tudo enquanto a investigação policial se desenrola com tensão e inteligência. Os personagens secundários, do garoto Gioele aos guardas e prisioneiros que cruzam o caminho de Fischer, adicionam texturas emocionais e éticas à história.
Meu olhar de leitora sente que esta é uma obra que ultrapassa o gênero. É um thriller, sim, mas também uma meditação sobre escolha moral, sobrevivência e os ciclos de silêncio que o mundo insiste em preferir. Por isso a minha nota de quatro estrelas: Ramunno nos entrega uma história que não se esquece facilmente — e que, apesar da neve, arde na memória muito após a última página.
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