Resenha Assassinato na família de Cara Hunter
- Mih Moraes

- 14 de jan.
- 2 min de leitura

Um mistério que é quase visceral
Minha nota: ★★★★☆
Autor: Cara Hunter
Gênero: Thriller / Crime / True Crime ficcional
Editora: Trama (Grupo Ediouro)
Páginas: 510
Ideal para: quem ama mistérios envolventes, narrativas não convencionais e plots que instigam você a ser detetive enquanto lê.
Antes de começar… “O crime nunca acontece em silêncio — ele ecoa nas páginas, nas teorias e no chicote da curiosidade que te puxa.”
Ler Assassinato na Família é como entrar na sala onde um crime mal digerido pelos anos ainda está marcado na parede, com todos os móveis deslocados e evidências espalhadas por cada canto imaginável. Cara Hunter parte de um caso quase folclórico: Luke Ryder, encontrado morto no jardim da própria casa em 2003, com toda a família presente e nenhum suspeito claro. Essa base crua, que poderia ser só mais um homicídio arquivado, se transforma num quebra-cabeça fascinante quando uma produtora decide revisitar o caso — com câmeras, psicólogos, jornalistas e investigadores forenses reunidos para refazer cada passo dessa história congelada no tempo.
O charme (e o desafio) desse livro está na forma como a narrativa é construída. Nada de capítulos confortáveis com um narrador onisciente. Em vez disso, somos lançados numa espécie de transcrição de uma docussérie investigativa, entrelaçada com trocas de mensagens, entrevistas, notas de bastidores e reações públicas ao caso. Esse formato fragmentado não é apenas enfeite: ele faz você pensar, duvidar, montar teorias e desconfiar de cada personagem, exatamente como se estivesse acompanhando um podcast true crime com acesso aos bastidores.
Os personagens são tratados como peças de xadrez nesse tabuleiro sinistro. Guy Howard — o enteado que estava presente no momento do crime mas alega não lembrar de nada — é o coração pulsante dessa investigação, enquanto a equipe da série vai revelando facetas de si mesma que fazem você questionar quem realmente está ali para buscar a verdade ou manipular a narrativa. Não há heróis netos nem vilões estereotipados: cada voz carrega suas sombras e motivações pessoais que complicam ainda mais o já complicado enigma.
Essa ambiguidade é uma das maiores forças do livro — também sua pequena fraqueza. Por vezes, a alternância de estilos e formatos pode cansar leitores que preferem linearidade; ainda assim, essa ousadia narrativa funciona como um espelho da própria obsessão humana por mistérios não resolvidos. Hunter não entrega respostas fáceis, e a conclusão, embora satisfatória, deixa um gosto de “quero mais”: mais detalhes, mais reviravoltas, mais implicações psicológicas.
Se você curte thrillers que chacoalham a estrutura tradicional, que borram a linha entre investigação policial e espetáculo midiático, ou simplesmente quer um livro que te transforme — mesmo que por algumas horas — em um detetive obcecado, este é um prato cheio.
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