Resenha Batida Só de Giovana Madalosso
- Mih Moraes

- 15 de jan.
- 2 min de leitura

Quando viver dói e ainda assim vale a pena
Minha nota: ★★★★☆ 🖤
Autor: Giovana Madalosso
Gênero: Romance contemporâneo / Ficção brasileira
Editora: Todavia
Páginas: 240
Ideal para: quem ama romances que exploram a fragilidade e a força humanas, personagens inquietantes e reflexões sobre vida, doença, fé e laços que nos salvam.
Antes de começar… “Este é daqueles livros que faz seu próprio coração rever cada batida, porque a vida — às vezes — aparece na cadência irregular de um corpo que insiste em sentir.”
Ler Batida Só é como aceitar um convite para sentir profundamente, mesmo quando a própria protagonista nos lembra, logo nas primeiras páginas, que sentir pode doer. A jornalista Maria João vivia na velocidade sufocante de uma grande metrópole quando um ataque na rua não apenas salvou sua vida, mas revelou um diagnóstico que muda tudo: ela descobre uma arritmia grave e, para se manter viva, precisa evitar emoções fortes — algo quase impossível para alguém que vive no compasso acelerado das notícias e das urgências cotidianas.
É essa tensão — entre o coração que precisa de paz e o coração que deseja viver — que move a prosa sensível e cortante de Giovana Madalosso. Maria João, ao recuar para a casa dos avós em Moenda, encontra mais do que tranquilidade; cruza com velhas amizades, revisita feridas e descobre que o corpo que bate fora de compasso é também um corpo que ainda pulsa vida. A chegada de Sara, amiga de infância, e de Nico, seu filho curioso e espirituoso, abre fissuras na armadura que Maria João havia construído ao tentar anestesiar sentimentos e lembranças. A amizade deles se torna um espelho de como o amor e o cuidado — mesmo em formas inesperadas — nos desafiam a viver inteiros, não apesar da dor, mas através dela.
O livro brilha quando nos faz encarar que parar — tão desejado diante de um diagnóstico — não é o mesmo que desistir. A construção das relações com Sara e Nico traz à narrativa um debate vivo sobre fé, ceticismo e a necessidade universal de encontrar sentido, seja em rituais, seja na ciência, seja no simples toque humano. A autora costura essas reflexões com uma escrita que respeita as manchas e as incertezas da vida, sem cair em respostas fáceis ou melodramáticas.
Se em alguns momentos a trama parece respirar em um ritmo contemplativo demais, é justamente aí que vemos a coragem de Madalosso: ela nos força a escutar, página por página, aquilo que muitas vezes evitamos — o som interior das batidas que insistem em continuar.
Batida Só é um romance que dialoga com nossos medos mais íntimos e nossas esperanças teimosas, lembrando que viver plenamente nunca foi sobre controlar cada batida, mas sobre permitir que cada uma delas nos transforme.
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