Resenha Filhos de Aflição e Anarquia (O legado de Orisha #3) de Tomi Adeyemi
- Mih Moraes

- 14 de jan.
- 2 min de leitura

O Legado Que Arde
Minha nota: ★★★★☆
Autor: Tomi Adeyemi
Gênero: Fantasia YA / Afro-fantasia
Editora: Rocco
Páginas: 368
Ideal para: quem ama fantasia épica vibrante, protagonistas fortes que lutam até o osso, mundos inspirados em mitologia africana e finais grandiosos que dividem opiniões.
Antes de começar… “Uma conclusão que incendeia a alma dos personagens e a imaginação do leitor — imperfeita, mas impossível de largar.”
Era inevitável que, ao chegar no terceiro e último volume da saga de Zélie, Amari e Tzain, eu fosse fisgada no coração da história tanto quanto na mente. Em Filhos de Aflição e Anarquia, Tomi Adeyemi entrega um clímax que é igual partes grandioso e visceral, igual partes tumultuado e eletrizante — um desfecho que faz a magia de Orïsha cintilar com força total.
A narrativa nos lança logo de cara em terreno instável: depois de tomar o palácio real e derrubar antigos tiranos, Zélie e seus aliados pensam que a liberdade chegou. Só que a vida, como a magia que pulsa em O Legado de Orïsha, tem seus próprios caprichos. Eles são capturados, lançados ao mar e aprisionados por uma nova força ameaçadora — os caveiras, comandados pelo enigmático Rei Baldyr, um antagonista que comanda navios e corações com igual intensidade.
É um livro que respira urgência. Cada página parece carregar o peso de destinos que se cruzam e se enfrentam, de alianças que nascem sob fogo cruzado e esperanças que se recusam a morrer. Zélie, que cresceu entre dor e determinação, é ao mesmo tempo guerreira e mareante de dúvidas, lutando para salvar seu povo e ainda entender o que a própria magia — e amor — significam para ela. Amari e Tzain evoluem ao longo do percurso, revelando forças que desafiam rótulos e expectativas, humanos que aprendem a ser mais que seus títulos.
Por que quatro estrelas? Porque a energia aqui é imparável — e também, em certos momentos, caótica de propósito. O ritmo é torrente, personagens e cenários mudam em torrentes de página em página, e a conclusão é uma mistura de triunfo e fratura emocional. Alguns elementos narrativos parecem atropelados, como se o próprio vento que move a história tivesse pressa. Ainda assim, há momentos de pura magia — batalhas em alto mar, sacrifícios concretos e aquele tipo de world-building que faz você sentir a terra de Orïsha pulsar embaixo dos pés.
Adeyemi fecha muitos arcos e abre ainda mais imaginação: a luta política, a ancestralidade da magia e as decisões humanas estão todas entrelaçadas como raízes e relâmpagos. E mesmo que certas escolhas narrativas dividam (até leitores apaixonados), a experiência de acompanhar o legado desses personagens até seu ponto final é, por si só, uma viagem que vale cada página.
Se você gosta de fantasia que pulsa, que tira o ar e devolve como feitiço, Filhos de Aflição e Anarquia é aquele final de trilogia que gruda na memória — com o coração ainda batendo rápido.
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