Resenha Filhos de Virtude e Vingança (O legado de Orisha #2) de Tomi Adeyemi
- Mih Moraes

- 14 de jan.
- 2 min de leitura

Um turbilhão de magia, dor e esperança em Orïsha
Minha nota: ★★★★☆ 🖤
Autor: Tomi Adeyemi
Gênero: Fantasia YA / Romance fantástico
Editora: Rocco
Páginas: 432
Ideal para: quem ama fantasia afro-épica com política tensa, protagonistas marcadas por perda, magia poderosa e conflitos que ecoam no coração do leitor.
Antes de começar… “A magia voltou, mas as feridas de Orïsha estão mais abertas do que nunca — e é nesse espaço rasgado que nascem coragem e traição.”
Ler Filhos de Virtude e Vingança é como ser lançado para o centro de uma tempestade de areia mágica em um deserto vermelho-escuro: tudo sacode, tudo arde, e no fim você está diferente. Segunda parte da trilogia O Legado de Orïsha, Tomi Adeyemi nos arrasta para as consequências brutais do que aconteceu no primeiro livro — a tal ponto que a vitória parece ao mesmo tempo gloriosa e devastadora.
Orïsha está irreconhecível depois que Zélie, Amari e Tzain conseguiram trazer a magia de volta à terra. A magia, porém, voltou em pares inesperados: além dos maji, agora também a monarquia e os nobres — chamados de tîtáns — detonam contra a resistência.
Zélie, ainda de luto pela perda de seu pai, caminha pela narrativa carregando dor e dúvida. Ela luta com a culpa, com o peso de ter feito o impossível — mas sem ter a paz que imaginava merecer. Amari, a princesa renegada que agora quer liderar com justiça, mas carrega seus próprios fantasmas e decisões polêmicas sobre poder e paz, cria uma dinâmica complexa entre as duas.
A autora mergulha sem medo em temas espinhosos: racismo sistêmico traduzido em magia desigual, luta por representação e identidade, e o preço real da liberdade quando nem todos os aliados compartilham os mesmos sonhos.
A ação aqui não é mera decoração: são confrontos carnudos, batalhas que rasgam alianças, traições que ferem tanto quanto qualquer espada enchantada. Você se pega torcendo e xingando em voz alta, porque Adeyemi escreve com essa visceralidade — quando o coração de um personagem é partido, a sua também doi um pouco.
A construção de mundo continua espetacular: mitologia inspirada na cultura iorubá colorindo cada feitiço e tradição, clãs com suas próprias dores e historias, e aquele senso de urgência — tipo “se a gente não se mexer agora, tudo vai desabar” — que grudou em mim por dias depois de virar a última página.
Minha estrela extra vai para a maneira como Adeyemi joga luz nas sombras do poder e da revolução: nem sempre os mocinhos têm razão, nem todos os que lutam estão certos. É um YA que respeita a inteligência do leitor e não abre mão de nos fazer pensar enquanto devora páginas.
Se você busca fantasia com impacto emocional e questionamento social, Filhos de Virtude e Vingança é daqueles que se instala na cabeça — e que, mesmo sem ser perfeito, te empurra pelos próprios limites da imaginação.
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