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Resenha Good Dirt de Charminie Wilkerson


Livro Good Dirt

O peso da memória em cada grão de história


Minha nota: ★★★★☆

Autor: Charmaine Wilkerson

Gênero: Ficção literária / Saga familiar

Editora: Ballantine Books (EUA)

Páginas: 368


Ideal para: quem ama narrativas multigeracionais que exploram legado, trauma e identidade com profundidade e ritmo envolvente.


Antes de começar… “Uma história que me fez sentir o peso da história no sangue e o poder de reencontrar caminhos onde todos pareciam perdidos.”


Nesta minha leitura de Good Dirt, Charmaine Wilkerson tece com sensibilidade uma saga familiar onde o passado pulsa como um coração enterrado sob a terra — pesado, insistente e vital. A protagonista, Ebony “Ebby” Freeman, cresceu sob a sombra de uma tragédia que destruiu não apenas o corpo do irmão, Baz, mas também um objeto que era o fio de toda a linhagem: um jarro ancestral de barro, feito por um antepassado escravizado, carregado de história, orgulho e feridas profundas.


Ebby, agora adulta, vive o paradoxo de ser parte de uma família abastada no rígido ambiente de New England e, ainda assim, sentir-se deslocada dentro desse mesmo lar. Quando seu relacionamento de anos desaba no altar — um golpe brutal que a expõe ao olhar público — ela foge para a França, esperando escapar da narrativa que outros escreveram para ela. É nessa fuga que a autora nos permite ver como cada personagem guarda, em silêncio, as rachaduras de sua própria história e como o retorno às origens pode ser tanto doloroso quanto libertador.


O que torna Good Dirt tão potente é como Wilkerson intercala o presente de Ebby com as camadas históricas que cercam o tal jarro — apelidado de Old Mo. Esse artefato, passado de geração em geração, não é apenas um símbolo físico, mas um portal para histórias que vão desde a escravidão até a busca contemporânea por pertencimento. A autora explora com lucidez como a memória familiar pode moldar e, às vezes, distorcer quem nos tornamos.


Eu senti a força dessa narrativa especialmente na forma como trata do luto contínuo — não como um episódio encerrado, mas como uma paisagem em que cada personagem deve aprender a caminhar em seus próprios termos. Ebby é uma protagonista complexa: sua resiliência é admirável, mas sua vulnerabilidade é o que nos conecta de verdade ao seu percurso de cura.


Nos pontos em que a autora mergulha no trauma coletivo e individual, a história brilha com uma honestidade comovente, mesmo que em alguns momentos pareça que há ainda mais camadas a explorar — um eco de que, como na vida real, as feridas nem sempre se fecham como queremos. Esse movimento entre passado e presente fez com que minha experiência de leitura fosse intensa e reflexiva, merecedora das quatro estrelas que dei.


Se sua praia é literatura que mistura drama familiar, história e questões de identidade com uma prosa rica e personagens que respiram verdade, Good Dirt merece um lugar na sua estante — não pelo conforto fácil, mas pelo convite sincero a confrontar o que carregamos conosco.


O livro está disponível no nosso cantinho da Amazon, e cada compra por lá também fortalece o trabalho independente do blog. :)



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