Resenha O brilho inquebrável de Irmãs de Amarelo de Mieko Kawakami
- Mih Moraes

- 14 de jan.
- 2 min de leitura

Sobrevivência, laços e verdade nas ruas de Tóquio
Minha nota: ★★★★☆
Autor: Mieko Kawakami
Gênero: Ficção literária / drama social
Editora: (informação baseada na edição traduzida/pre-order) Knopf / Picador
Páginas: 448 (edição inglesa)
Ideal para: leitores que amam narrativas cruas de amadurecimento, personagens femininas fortes, realismo social e histórias que exploram a amizade em mundos por fora dos holofotes.
Antes de começar… “Uma história que corta fundo: aqui, crescer não é um conto de fadas, e laços de ‘irmãs’ se testam na dureza de cada dia.”
Ler Irmãs de Amarelo é como caminhar por vielas escondidas de Tóquio nos anos 1990, acompanhando a vida de Hana — quinze anos, cheia de vontade de viver apesar de quase nada em mãos — e sua relação com Kimiko, a mulher que surge como uma luz forte e incerta na sua existência. Hana, menina que divide um apartamento apertado com a mãe e frequenta os limites invisíveis de uma cidade imensa, encontra em Kimiko mais do que uma parceira de vida: encontra a promessa de um mundo diferente. Juntas, elas montam o bar Lemon, um refúgio meio improvisado que, aos poucos, se torna símbolo de liberdade, dinheiro — e perigo.
O que torna esse livro tão envolvente é o modo como Kawakami escreve o cotidiano sem flerte com romantismos baratos: as experiências de trabalho, as conversas no bar, as noites difíceis e as manhãs incertas são pintadas com uma honestidade que balança entre o afeto e a dureza. Hana cresce diante de nós, não como quem aprende uma lição esperta, mas como quem é forçada a entender que sobreviver já é uma conquista.
A autora não entrega finais polidos — nem de pessoas, nem de sonhos. À medida que a história avança, lealdade e traição caminham lado a lado, testes de confiança se aproximam de revelações amargas, e nós, leitores, sentimos o peso de cada escolha. Alguns momentos me tocaram profundamente pela fragilidade com que Kawakami descreve laços que deveriam salvar, mas também podem ferir.
A tradução (na edição que li) mantém a intensidade da prosa original, tornando palpáveis as ruas, os cheiros e a complexidade emocional das personagens. Se você busca uma leitura que conversa com temas sociais, amizade e o custo de crescer em cenários que não oferecem garantias, este livro vai aparecer como um espelho forte e, por vezes, incômodo.
No próximo café lendo Irmãs de Amarelo, você talvez feche o livro sentindo que algumas histórias não terminam — elas ecoam.
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