Resenha O silêncio que grita: Junie, de Erin Crosby Eckstine
- Mih Moraes

- 14 de jan.
- 2 min de leitura

Uma voz que ecoa além da página
Minha nota: ★★★★☆
Autor: Erin Crosby Eckstine
Gênero: Ficção histórica / Realismo mágico
Editora: (versão Brasil/inglês conforme disponível)
Páginas: ~368 páginas
Ideal para: quem busca ficção histórica com intensidade emocional, personagens resilientes, reflexões sobre perda e liberdade num contexto brutal.
Antes de começar... “Junie não é um livro que você lê; é um mundo que te envolve pela mão, te balança e te deixa pensando por dias.”
Junie é um daqueles romances que se plantam na memória — como uma semente que brota devagar, mas cresce firme depois que a última página é virada. Ambientado no sul dos Estados Unidos pouco antes da Guerra Civil, o livro narra a vida de Junie, uma jovem de 16 anos que passou toda sua vida escravizada na Bellereine Plantation e carrega no peito a marca de uma perda que ainda sangra: a morte da irmã Minnie.
Junie vive entre tarefas domésticas, a dureza da servidão e seus próprios devaneios poéticos — ela ama palavras e histórias, um escape luminoso num mundo que insiste em apagá-la. A relação com Violet, a filha branca da família que a cria, é complexa: mistura carinho, desigualdade e uma intimidade moldada por segredos e poder.
Quando visitantes chegam à fazenda com a promessa de casamento para Violet — uma jogada social que ameaça separar Junie de tudo e todos — ela toma uma decisão desesperada que desperta o espírito de Minnie. A partir daí, o romance se movimenta num terreno liminar entre o real e o sobrenatural: a presença da irmã morta é uma sombra e um guia, um peso que reflete a culpa e a necessidade urgente de libertação.
O coração da trama pulsa nos encontros com Caleb, o cocheiro, cuja amizade — e depois amor — surgem como faíscas de luz em meio à escuridão. A forma como Eckstine constrói esse vínculo é sensível, quase secreto, mostrando que afeto e ternura podem nascer nos lugares mais improváveis.
Mas Junie nunca esquece suas raízes duras: a narrativa não romantiza a escravidão. Ela a apresenta com todas as suas feridas abertas, e é justamente isso que torna a jornada da protagonista tão poderosa. Historicamente rica e poeticamente visceral, a escrita de Eckstine mistura tensão e delicadeza — funciona quase como um espelho quebrado que reflete tanto o horror quanto a capacidade humana de sonhar e resistir.
Minha experiência com esse livro foi de imersão intensa: há momentos que me envolveram como um abraço apertado, outros que me deixaram sem ar, ponderando sobre amor, escolha e o preço da liberdade. Por isso a nota de quatro estrelas — uma leitura impactante, cheia de nuances, que merece ser conversada depois que se fecha o livro.
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