Resenha Las muertas de Jorge Ibargüengoitia
- Mih Moraes

- 14 de jan.
- 2 min de leitura

Humor ácido, crime e a banalidade do horror
Minha nota: ★★★☆☆
Autor: Jorge Ibargüengoitia
Gênero: Romance / Ficção literária / Sátira
Editora: Planeta Publishing
Páginas: 192
Ideal para: quem gosta de literatura latino-americana, humor ácido, crítica social e narrativas baseadas em crimes reais
Antes de começar…“Um livro que provoca riso nervoso: você percebe o absurdo da situação e, ao mesmo tempo, sente o peso do que está sendo contado.”
Las Muertas, de Jorge Ibargüengoitia, é daqueles livros que desconcertam. Inspirado em um caso real ocorrido no México — o das irmãs González Valenzuela, donas de bordéis envolvidos em uma série de assassinatos — o autor constrói uma narrativa que mistura crime, burocracia, humor ácido e crítica social com uma naturalidade quase indecente.
Aqui, acompanhamos a história das irmãs Baladro, duas mulheres que comandam casas de prostituição e se envolvem em uma sequência de mortes tratadas com uma frieza assustadora. O mais perturbador não é apenas o que acontece, mas como é contado: com uma ironia seca, quase jornalística, que expõe a negligência das autoridades, o machismo estrutural e a normalização da violência contra mulheres marginalizadas.
Ibargüengoitia não está interessado em criar empatia fácil. Seus personagens são falhos, grotescos, às vezes patéticos. As irmãs não são romantizadas, tampouco demonizadas de forma simplista. Elas existem dentro de um sistema corrupto e violento, e o autor faz questão de mostrar como esse sistema funciona — ou melhor, como ele falha miseravelmente.
A leitura é rápida, mas deixa um gosto amargo. Em alguns momentos, o distanciamento emocional pode soar excessivo, e talvez por isso minha relação com o livro tenha sido mais racional do que afetiva. Ainda assim, é impossível ignorar a inteligência do texto e a forma como o autor usa o humor para escancarar horrores cotidianos.
Las Muertas não é um livro confortável, nem quer ser. É uma sátira cruel sobre um mundo em que a morte vira estatística e a tragédia se perde em relatórios mal escritos. Um clássico estranho, provocador e necessário — mesmo quando incomoda.
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