Resenha Queria morrer, mas no céu não tem tteokbokki - Baek Se-hee
- Mih Moraes

- 14 de jan.
- 2 min de leitura

Quando a dor cotidiana ganha nome, escuta e alguma honestidade desconfortável
Minha nota: ★★★☆☆
Autora: Baek Se-hee
Gênero: Não ficção | Saúde mental | Memórias
Editora: Intrínseca
Páginas: 208
Ideal para: quem se interessa por saúde mental, leituras confessionais, relatos terapêuticos e reflexões sobre depressão, ansiedade e o cansaço de existir.
Antes de começar…“Nem sempre é sobre querer morrer. Às vezes é só não saber mais como continuar.”
Há livros que chegam sussurrando, quase pedindo licença. Queria morrer, mas no céu não tem tteokbokki é um deles. Estruturado como uma sequência de sessões de terapia, o livro acompanha os encontros da autora com sua psiquiatra ao longo de anos, enquanto tenta entender por que a vida parece sempre pesada demais — mesmo quando, do lado de fora, tudo parece “funcionar”.
Baek Se-hee escreve a partir do desconforto. Ela fala de depressão persistente, ansiedade social, baixa autoestima, relações afetivas confusas e daquela sensação insistente de inadequação que não some com conquistas nem com elogios. O tteokbokki — prato coreano apimentado e reconfortante — surge como metáfora perfeita: o pequeno prazer que ancora alguém ao mundo quando tudo parece demais.
A leitura flui rápido, quase como uma conversa escutada atrás da porta. Há momentos de identificação sincera e outros em que a repetição emocional cansa um pouco — e talvez seja exatamente aí que mora a honestidade do livro. A dor real não é linear, não é pedagógica, não se resolve em capítulos inspiradores. Ela insiste. Volta. Se arrasta.
Minha experiência foi de proximidade, mas não de arrebatamento. Dei 3 estrelas porque, embora o livro seja importante e necessário, senti falta de camadas mais profundas em alguns pontos e de um tensionamento maior entre autora e processo terapêutico. Ainda assim, é uma leitura valiosa para quem busca representatividade emocional, especialmente para quem vive nesse lugar cinzento entre “dar conta” e “estar esgotada”.
Não é um livro para salvar ninguém. É um livro para fazer companhia. E, às vezes, isso já é muito.
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