Resenha The Correspondent de Virginia Evans
- Mih Moraes

- 14 de jan.
- 2 min de leitura

Como uma Vida Inteira em Cartas se Torna uma Lição de Verdade Humana
Minha nota: ★★★★☆
Autor: Virginia Evans
Gênero: Ficção literária / Epistolar
Editora: Crown / Penguin Random House
Páginas: ~304
Ideal para: quem ama histórias íntimas, personagens complexos e reflexões sobre os fios que tecem nossas vidas.
Antes de começar…“Ao entrar no mundo de The Correspondent parece que você recebe uma carta antiga—quente nas mãos, cheia de história, de vida e de segundas chances.”
Ler The Correspondent é como ser convidado para a mesa de chá de Sybil Van Antwerp, uma mulher de 73 anos que construiu sua vida em torno de uma prática tão antiga quanto íntima: escrever cartas. Todas as manhãs, às 10h30, Sybil senta-se à sua mesa com chá e papel e começa a relacionar o que sente, observa e pensa. Ela escreve para seu irmão Felix, sua melhor amiga Rosalie, o vizinho Theodore, autores que admira e, mais do que tudo, para as partes não ditas de si mesma.
O livro é composto por essas correspondências — algumas enviadas, outras secretamente guardadas — e por meio delas montamos o quebra-cabeça da vida de Sybil: a carreira como advogada, o casamento e divórcio com Daan, as alegrias e feridas da maternidade, a perda indescritível de seu filho Gilbert, e os silêncios dolorosos que ela escolheu por décadas.
O que me pegou de jeito foi essa costura lenta, quase artesanal, da narrativa. Não é uma leitura de ação frenética, mas cada carta pulsa com uma espécie de honestidade crua e muitas vezes hilária — porque Sybil tem um senso de humor afiado e uma maneira própria de observar o mundo que me fez sorrir e suspirar em igual medida.
A epístola que fica no centro do livro — a carta que Sybil nunca enviou — é como uma chave que abre portas que ela mesma trancou há muito tempo. Esse fio narrativo é tão humano que, mesmo sem “acontecimentos grandiosos”, o livro tem uma força narrativa arrebatadora. Sempre me peguei pensando nas minhas próprias cartas não escritas, nas coisas que guardamos no peito e achamos que o tempo vai curar — até perceber que, às vezes, ele apenas cria mais camadas de silêncio.
Não é um livro sobre aventuras espetaculares, mas sobre a coragem que leva alguém a revisitar feridas antigas, pedir perdão e encontrar consolo nas conexões que atravessam gerações. É uma história que abraça a beleza do cotidiano com a mesma intensidade com que encara o arrependimento e a possibilidade de recomeço.
Se fosse dar um conselho literário, diria que The Correspondent é o tipo de romance que você lê com um marcador na mão e um coração aberto — ele exige presença, mas devolve essa entrega em profundidade e ternura.
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