top of page

O tempo invisível da criatividade

  • há 19 horas
  • 2 min de leitura

Tem dias em que a criatividade chega cedo, senta à mesa com a gente, pede café e espalha ideias pela casa inteira. Em outros, ela mal responde às mensagens. Some. Silencia. E a pior armadilha é acreditar que isso significa vazio.


Mas talvez criatividade nunca tenha sido sobre permanência. Talvez ela seja mais parecida com maré do que com máquina. Há dias de cheia. Há dias de recolhimento.


Tenho aprendido que criar também exige descanso. Exige silêncio. Exige aceitar que nem toda pausa é abandono. Às vezes, o que parece ausência é só o invisível acontecendo debaixo da terra. A raiz crescendo antes da flor aparecer.


Blog Ensaios da Nega

A gente vive numa época que romantiza a produtividade constante, como se fosse possível florescer o ano inteiro sem perder folhas pelo caminho. Mas a criatividade é organismo vivo. Ela sente cansaço, excesso, medo, comparação. E ainda assim, retorna. Sempre retorna.


O mais bonito é perceber que ela não vai embora de verdade. Ela muda de linguagem.

Às vezes a criatividade não aparece num texto brilhante, mas numa xícara de café tomada devagar. Numa fotografia torta da luz entrando pela janela. Num bordado começado sem pressa. Num livro que desperta uma frase que fica ecoando o dia inteiro dentro da gente.


Cultivar a criatividade, para mim, tem sido menos sobre cobrar resultados e mais sobre criar pequenos rituais de permanência. Algumas coisas têm ajudado nesse processo:


  • consumir menos e observar mais

  • anotar ideias sem exigir que elas virem algo imediatamente

  • caminhar sem celular por alguns minutos

  • permitir-se criar coisas “imperfeitas”

  • descansar sem culpa

  • voltar para referências que aquecem a alma

  • lembrar que comparação é seca para qualquer jardim criativo


E principalmente: continuar cuidando do solo mesmo quando nada parece nascer.

Porque nasce. Talvez mais lento do que gostaríamos. Talvez diferente do que imaginávamos. Mas nasce.


A criatividade não é uma fonte infinita ligada o tempo todo. Ela é um encontro. E encontros bonitos quase sempre pedem tempo, presença e delicadeza.

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
Mih Moraes.jpg

Olá, que bom ver você por aqui!

Um espaço dedicado a quem ama mergulhar no universo literário! Com resenhas apaixonantes, dicas incríveis e conteúdos inspiradores para leitores e escritores.

Fique por dentro de todos os posts

Obrigado por assinar!

Siga no instagram

  • Instagram
  • Instagram
  • Pinterest
  • TikTok

© 2025 por Ensaios da Nega - Mih Moraes

​​Todos os direitos reservados. O conteúdo deste site não pode ser reproduzido, distribuído, transmitido ou usado, exceto com a permissão prévia por escrito.

bottom of page